Indicados ao Oscar 2016: Perdido em Marte

Indicados ao Oscar 2016: Perdido em Marte Filmes
por

Ficar com a tarefa de assistir Perdido em Marte para resenhar para o blog não foi das coisas mais empolgantes da vida. Eu provavelmente sou uma das últimas pessoas na lista mundial de fãs de ficção científica. Mas ou eu estou com a minha mente cinéfila muito mais aberta a novidades ou os filmes do Oscar este ano estão realmente “saindo da caixinha dos clichês”. Fato é que este novo filme do diretor Ridley Scott me conquistou.

Baseado no livro homônimo de Andy Weir, o longa tem como premissa uma das grandes zoeiras de Hollywood, que eu por acaso descobri esta semana: gastar dinheiro para salvar Matt Damon.

Brincadeiras à parte, em uma missão espacial a Marte, uma equipe de astronautas chefiada por Melissa Lewis (Jessica Chastain) se depara com uma tempestade de areia e é obrigada a abandonar o planeta. Antes de chegar até a nave para decolar, Mark Watney (Matt Damon) é perfurado por uma antena e perde o contato com seus companheiros de missão, que concluem que ele morreu e partem de volta para a Terra.

É quando Mark percebe que está sozinho em Marte que a diversão de quem está assistindo começa. Isso mesmo, diversão! Perdido em Marte não tem um personagem principal filosofando sobre as profundidades de se ver sozinho no espaço, não tem morte, não tem tensão excessiva… tem sim muitas cenas leves, muito bom humor, muita ciência simplificada, muitos hits da disco (sim!) e um show de Matt Damon em cena.

Lendo o título do filme, você nunca imaginaria que uma pessoa esquecida em outro planeta, com possibilidades infinitas de morrer possa ser tão bem humorada, e é isso que Mark Watney é, um botânico cheio de humor que resolve não morrer em Marte e encontra na ciência as soluções dos seus (muitos!) problemas.

Ele faz diversos cálculos para descobrir por quanto tempo a comida que lhe resta aguentará e quais serão seus próximos passos. E, pasme, Mark chega até a plantar em Marte, mandando um sonoro “In your face Neil Armstrong”. O mais incrível é que ele explica todas as suas resoluções e descobertas e… tchanãã… a gente entende!

perdidoemmarte4

Mark é simples e ri de si mesmo. Através de vídeos-diários ele conta a sua rotina exclusivamente pro espectador, já que, até então, ninguém sabe que ele está vivo, e é principalmente nestas cenas que é possível admirar a atuação de Matt Damon, que segura 2 terços do filme atuando sozinho.

Quando Mark consegue estabelecer comunicação com a NASA, você passa a pensar que algo ou, principalmente, alguém vai fazer tudo dar errado. Mas não, Perdido em Marte não precisa de um vilão, a natureza espacial já é uma vilã e tanto, então, o que o filme realmente precisa é de um herói pensante, que, aliás, não está nem um pouco a fim de morrer. É assim que a história do filme se sustenta (e muito bem, obrigado!).

Apesar de todo bom humor e simplicidade das cenas e dos diálogos, Perdido em Marte foi tido por muitos críticos como o melhor filme relacionado a Marte já produzido. Isso por conta da fidelidade com que retrata o planeta. A Nasa, inclusive, foi uma das principais fontes de consulta da produção, então praticamente nada do que é visto é pura ficção ou algo que alguém com conhecimento técnico chamaria de “forçação de barra”.

O longa de Ridley Scott está indicado em 7 categorias do Oscar 2016: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Design de Produção.

Eu, pessoalmente, vou torcer para que leve alguma estatueta, porque, no fim das contas, valeu a pena para Hollywood desembolsar alguns milhões para salvar Matt Damon mais uma vez.

Nota:
9/10

Veja o trailer:

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *