Resenha – Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo

Resenha – Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo Livros
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Christiane F. ficou famosa após ter sua chocante historia revelada ao mundo no livro “Wir, Kinder vom Bahnhof Zoo”, lançado em 1978 e traduzido para vários idiomas, inclusive o português, onde recebeu o título de “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída…” (umas das minhas biografias favoritas), que em 1981 ganhou as telas dos cinemas e fez tanto sucesso quanto o best-seller.

Ler o perturbador relato de Christiane, filha de pai violento e mão ausente, que aos 12 anos experimentou maconha e aos 13 conheceu a heroína e a prostituição, termina com questões que os leitores (inclusive eu) sempre tiveram curiosidade: estaria viva? Usando drogas? Ainda se prostituía?

christianef_1Mais de 30 anos depois, Christiane F., com 51 anos, e muitas complicações em sua saúde, resolveu contar o que aconteceu em sua vida e lançou em 2013 sua segunda biografia “Eu, Christiane, A Vida Apesar de Tudo”, que chegou recentemente ao país. Particularmente, quando eu soube do lançamento fiquei bem entusiasmada com o que viria nessas 265 páginas.

O livro nos mostra a vida da junkie depois da “fama”, uma Christiane com dinheiro e reconhecimento, que ao longo da vida injetou, cheirou, abortou e experimentou tudo o que se pode imaginar ao longo dos anos.

Em suas memórias, ela conta as aventuras que teve durante a vida. Sua passagem por Los Angeles, o encontro com o ídolo David Bowie, a estadia na Suíça, a ajuda que recebeu de um casal que tentou tirá-la das drogas, sua temporada na Grécia e também na prisão feminina, o nascimento e a perda da guarda de seu único filho, Philip (hoje com 17 anos).

Após o nascimento de seu filho, Christiane se manteve um tempo limpa, mas voltou a atingir o fundo do poço assim que perdeu a guarda da criança. Aliás, o amor que ela sente por seu filho é algo que contradiz tudo o que viveu; para Christiane, ele foi a única coisa boa que ela realmente fez na vida e sua única esperança. “Havia uma pequena criatura que precisava de mim. Era tudo que eu precisava. Nada mais importava”.

O livro traz uma narrativa franca e intensa, uma verdade que choca (sim, ainda há com o que se chocar na vida de Christiane), e, assim como no primeiro livro, é impossível parar de ler e, quando acaba, a necessidade de querer saber mais permanece.

A fama e o dinheiro não lhe trouxeram felicidade. Como ela mesma diz: todos querem ver Christiane F., tirar foto e pedir autógrafo, mas não querem viver no mesmo prédio, nem que ela chegue perto de seus filhos.

Claro que vou reler a história e que recomendo o livro. Sim, Christiane F. sobreviveu e viveu, mas nem mesmo ela acredita que chegou tão longe e que vá durar por muito mais tempo.

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